E o Paradão Cultural, que copia a iniciativa que é um sucesso na capital paulista, promovido ontem, no Arpoador, foi um verdadeiro sufoco para quem tentou assistir os shows de Arnaldo Antunes e Céu. O mínimo que se pode dizer da organização do evento é: péssima. A procissão de gente no calçadão de Ipanema caminhou enganada em direção aquele canto de mar. A exemplo das pessoas que caminhavam ao meu lado, achei que veria os shows em espaço aberto, onde cada um poderia se acomodar na areia, na grama do parque ou mesmo na própria calçada. Infeliz engano, mesmo.
A "inteligente" organização do Paradão Cultural montou uma lona para abrigar apenas umas poucas dezenas de pessoas. Rapidamente, o espaço coberto ficou lotado e, para quem não conseguiu conquistar um espaço lá dentro, só restou um telão com imagens sem resolução e nitidez, ao lado da lona, para ver os difusos movimentos de Arnaldo Antunes. Parece que telões na rua com imagem perfeita são montados apenas para os jogos com a bola no pé, a cultura não tem a mesma importância no país do futebol... Assim, os que chegaram, como eu, desavisados, pensaram que o palco era aberto e estaria situado abaixo do telão. Ficamos na ponta do pé na vã tentativa de ver o palco ali, mas, a medida que nos aproximávamos mais, percebíamos que não havia nada além de imagens e som horríveis no telão.
O mais absurdo no raciocínio da gente inteligente que concebeu aquele palco é o fato de terem colocado a entrada para a tal lona virada para a Praia do Diabo. Os músicos tocaram de costas para Ipanema, o que não nos deu nem a opção de, humildemente, sentarmos na areia da praia para ouvir a música como acontece quando as apresentações são feitas no parque Garota de Ipanema. Bom, como não pude aproveitar a melodia de qualquer nota musical da primeira atração, desisti de esperar a segunda. Foi uma noite sem Céu e sem Antunes.
E assim caminha a cidade maravilhosa, com muito mais gente na rua e espaços cada vez menores para acomodar o respeitável público nos eventos gratuitos. Ó dias! Será que a desorganização é a nossa sina?
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